domingo, 21 de agosto de 2011

BULLYING: Veneno que Intoxica a Alma

Por Dirce Nunes Cestari
Professora e Psicanalista

Pertencer a uma determinada “tribo” é privilégio dos “escolhidos”. Aos excluídos então, cabe o silencio, o isolamento, a dor...
Na prática do Bullying, o agressor, em geral mais “poderoso”, se diverte com o sofrimento alheio.
Num ambiente hostilizador, é comum a incidência de “inocentes” brincadeiras, piadinhas sem “maldade”, apelidos de caráter pejorativo, que arrancam gracejos e divertem a “platéia”: gordinho, baleia, magrela, manquito, vesguinho, gaguinho, orelhudo, cabeção, anta, lesado, e por aí vão...
Não obstante, ainda há quem diga: Que mal há numa “tiradinha de sarro”? Nem doe! Afinal, só estão se divertindo!
Contudo, a dor e o sofrimento só podem ser dimensionados por aqueles que são hostilizados. Agressões verbais de inocente aparência, mas de amiúde natureza, que desencadeiam transtornos psíquicos de incalculável dimensão.
Impelidos pela dor do isolamento social a que foram condenados, são tomados de assalto pela depressão e melancolia, e no auge do desequilíbrio emocional levados ao extremo de atentar contra a própria vida. Ou por outro, desacreditam da amabilidade humana e desprovidos de sentimentos afetivos reproduzem as humilhações sofridas com comportamentos anti-sociais.
Os traumas decorrentes, somados a outras tantas agressões cotidianas, voluntárias ou involuntárias, ao passar pela metamorfose psíquica reagem como um “veneno” que intoxica a alma desses que se apresentam desvalidos de carinho e respeito.
Em se tratando de menores, em fase de desenvolvimento, o mal estar causado pela incivilidade a que são expostos pode influir negativamente na formação de sua personalidade, bem como no seu ajustamento social. Assim sendo, a ação deste “veneno” transformar-se-á em levedura que fará crescer o pão da intolerância para saciar a fome de justiça (ou de vingança) daqueles que foram vitimizados, física e/ou psicologicamente.
Entretanto, o Bullying não se aplica apenas ao universo de crianças e adolescentes. Está presente em todos os níveis etários e em todos os ambientes: familiares, escolares, socais e profissionais.
Comete-se o Bullying, com atos de assédio, de discriminação, de constrangimento, de perseguição, de humilhação, de hostilidade, dentre outros, levando a crer que esta prática envolve vários atores numa relação narciso paranóide de poder desigual.
Mas onde encontrar antídoto capaz de neutralizar tão poderoso “veneno”? Como combater tão poderosa substancia que irradia “prazer” àqueles que dela fazem uso? Como disseminá-la, se ao longo da existência humana foi perpetuado o conceito que: para divertir o “reinado” é preciso eleger o “bobo da corte”?
Seria mudando paradigmas culturais que por tradição defendem tais comportamentos como naturais e inconsequentes? Conceitos desta ordem carecem ser dissociados da imagem paradoxal de poder e grandeza, pois ainda que inconscientes são grandes responsáveis pela manutenção desta cultura.
Entretanto, as primeiras e mais significativas instituições sociais onde o sujeito é inserido são a família e a escola; por consequencia as principais responsáveis pela formação do seu caráter. Sendo assim, cabe-lhes então interferência oportuna na pessoa dos pais e educadores diante do menor sinal de um ambiente hostilizador. Deve estes promover ações que estimulem e reforcem valores éticos de natureza solidária, de respeito mútuo e de respeito às diferenças.
Há de se defender ainda, que não somente os representantes dessas instituições, mas a sociedade como um todo tem o dever ético de disseminar e cultivar conceitos de toda ordem para erradicar do nosso convívio tais condutas desumanas. Igualmente, estarem sempre atentos para não serem cúmplices involuntários de todo terror decorrente do fenômeno BULLYING.