Por Dirce Nunes Cestari
Professora e Psicanalista
Pertencer a uma determinada “tribo” é privilégio dos “escolhidos”. Aos excluídos então, cabe o silencio, o isolamento, a dor...
Na prática do Bullying, o agressor, em geral mais “poderoso”, se diverte com o sofrimento alheio.
Num ambiente hostilizador, é comum a incidência de “inocentes” brincadeiras, piadinhas sem “maldade”, apelidos de caráter pejorativo, que arrancam gracejos e divertem a “platéia”: gordinho, baleia, magrela, manquito, vesguinho, gaguinho, orelhudo, cabeção, anta, lesado, e por aí vão...
Não obstante, ainda há quem diga: Que mal há numa “tiradinha de sarro”? Nem doe! Afinal, só estão se divertindo!
Contudo, a dor e o sofrimento só podem ser dimensionados por aqueles que são hostilizados. Agressões verbais de inocente aparência, mas de amiúde natureza, que desencadeiam transtornos psíquicos de incalculável dimensão.
Impelidos pela dor do isolamento social a que foram condenados, são tomados de assalto pela depressão e melancolia, e no auge do desequilíbrio emocional levados ao extremo de atentar contra a própria vida. Ou por outro, desacreditam da amabilidade humana e desprovidos de sentimentos afetivos reproduzem as humilhações sofridas com comportamentos anti-sociais.
Os traumas decorrentes, somados a outras tantas agressões cotidianas, voluntárias ou involuntárias, ao passar pela metamorfose psíquica reagem como um “veneno” que intoxica a alma desses que se apresentam desvalidos de carinho e respeito.
Em se tratando de menores, em fase de desenvolvimento, o mal estar causado pela incivilidade a que são expostos pode influir negativamente na formação de sua personalidade, bem como no seu ajustamento social. Assim sendo, a ação deste “veneno” transformar-se-á em levedura que fará crescer o pão da intolerância para saciar a fome de justiça (ou de vingança) daqueles que foram vitimizados, física e/ou psicologicamente.
Entretanto, o Bullying não se aplica apenas ao universo de crianças e adolescentes. Está presente em todos os níveis etários e em todos os ambientes: familiares, escolares, socais e profissionais.
Comete-se o Bullying, com atos de assédio, de discriminação, de constrangimento, de perseguição, de humilhação, de hostilidade, dentre outros, levando a crer que esta prática envolve vários atores numa relação narciso paranóide de poder desigual.
Mas onde encontrar antídoto capaz de neutralizar tão poderoso “veneno”? Como combater tão poderosa substancia que irradia “prazer” àqueles que dela fazem uso? Como disseminá-la, se ao longo da existência humana foi perpetuado o conceito que: para divertir o “reinado” é preciso eleger o “bobo da corte”?
Seria mudando paradigmas culturais que por tradição defendem tais comportamentos como naturais e inconsequentes? Conceitos desta ordem carecem ser dissociados da imagem paradoxal de poder e grandeza, pois ainda que inconscientes são grandes responsáveis pela manutenção desta cultura.
Entretanto, as primeiras e mais significativas instituições sociais onde o sujeito é inserido são a família e a escola; por consequencia as principais responsáveis pela formação do seu caráter. Sendo assim, cabe-lhes então interferência oportuna na pessoa dos pais e educadores diante do menor sinal de um ambiente hostilizador. Deve estes promover ações que estimulem e reforcem valores éticos de natureza solidária, de respeito mútuo e de respeito às diferenças.
Há de se defender ainda, que não somente os representantes dessas instituições, mas a sociedade como um todo tem o dever ético de disseminar e cultivar conceitos de toda ordem para erradicar do nosso convívio tais condutas desumanas. Igualmente, estarem sempre atentos para não serem cúmplices involuntários de todo terror decorrente do fenômeno BULLYING.
domingo, 21 de agosto de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
O SER HUMANO BOMBEIRO
Por Dirce Nunes Cestari
Professora e Psicanalista
Parabéns à Corporação do Corpo de Bombeiros do Rio De Janeiro!
Categoria unida que não se intimidou diante das ameaças do “soberano” Governador que ordenou aprisioná-los por se mobilizarem por uma causa justa e legitima.
R$ 900,00 por um mês de duro trabalho é uma afronta não só para quem recebe, mas para todo cidadão que contribui com altíssimos impostos para usufruir com dignidade do atendimento desses bravos profissionais.
Ao classificá-los como VANDALOS o infeliz Governador não só afrontou essa honrada classe de SERES HUMANOS BOMBEIROS, como os confundiu com um sombriu seguimento da sociedade onde infelizmente estão incluídos políticos que fazem uso do dinheiro público de maneira irresponsável e sem nenhum pudor.
Se todos os cidadãos de bem deste Pais se unirem em defesa de um serviço público de qualidade, repugnará com veemência políticas inconsequentes que permitem a sociedade vivenciar situações iguais a essa, onde Bombeiros, Motoristas e Professores são levados a submete-los ao CAOS para serem atendidos no menor de suas reivindicações: “O Direito a uma Digna Remuneração Laboral para investir na Prestação um Serviço de Qualidade”.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
INCLUSÃO E PSICANÁLISE
Por Dirce Nunes Cestari
Professora e Psicanalista
“Quando nós olhamos alguém como deficiente dificilmente o sujeito consegue escapar deste olhar, passando a se ver e referenciar por este olhar”.( Maud, Mannoni)
Em linguagem psicanalítica, a inclusão de alunos deficientes nas escolas de ensino regular, especialmente na educação infantil, onde os conceitos de cuidar e “educar” passaram a ser tratados de modo integrado, é possível que numa concepção egocêntrica, narcisica e inconsciente, o indivíduo transfira suas responsabilidades para alguém que não ele próprio, validando seus preconceitos e estereótipos estigmatizados a partir de suas crenças.
Um olhar mais apurado, pode observar a postura de “negação” postulado em grande parte dos envolvidos (educadores, pais, familiares), com colocações do tipo:
• “Os professores não estão preparados para isso”.
• “A culpa é da família que não está nem aí”.
• “Os professores não estudaram pra isso”.
• “Eu não tenho condições de cuidar de crianças assim”.
• “A culpa é do governo que não dá condições para se desenvolver um bom trabalho”.
• “Eu não tenho condições para cuidar de meu filho; o governo não me ajuda”.
• “Meu filho foi discriminado pela escola”.
• “Pra que eu tenho que trazer meu filho todos os dias à escola se ele não tem condições de acompanhar a turma”?
• “Meu filho nunca vai sair disso”.
• “Eu não quero que meu filho atrapalhe o trabalho da escola”.
Observa-se nesses depoimentos uma “fala carregada” por mecanismos inconscientes de defesa do ego como resistência, negação, culpa, numa postura neurótico/obsessiva/compulsiva de transferir ou assumir responsabilidades.
Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-los, adquirindo autonomia e ao mesmo tempo se sentindo segura, num ambiente formador de conceitos e valores que tenha como princípios: respeito mútuo, respeito pelas diferenças, solidariedade, e reciprocidade como prática determinante nas relações estabelecidas entre os participantes.
E a educação Inclusiva dá oportunidade não só ao aluno com necessidade especial, mas também às outras crianças ditas “normais”, pois convivendo com essas ditas “diferentes”, quebram as barreiras dos preconceitos e se envolvem num olhar solidário. Assim, desde pequenas têm a oportunidade de conviver com as diferenças num contexto de normalidade.
“Há na Educação Inclusiva e na perspectiva psicanalítica a introdução de um outro olhar. Uma maneira nova da gente se ver, ver os outros e ver a Educação. De se aprender a conviver com as diferenças, com as mudanças, com aquilo que está além das imagens. Uma maneira da gente apostar no outro”. (MRECH -1999)
Nessas circunstâncias observa-se o desenvolvimento gratificante daqueles que antes eram excluídos, pois agora, se sentindo aceitas e respeitadas não são mais submetidas ao desconforto da discriminação e segregação.
A Influência da Família no Comportamento do Aluno Inclusivo
O aluno com deficiência da faixa etária entre três à seis anos (educação infantil), é em geral submetido a dois tipos de acolhimento no seio familiar: são superprotegidos, ou são rejeitados.
Por excesso de zelo, alguns pais resistem em confiá-los totalmente aos cuidados da escola. Ficam inseguros em deixá-los com os professores e acabam por passar essa insegurança aos mesmos.
Em alguns casos mais extremos, subestimam suas capacidades e não se furtam da oportunidade de superprotegê-los, efetuando suas tarefas mais simples numa radical postura de excesso de cuidados. Acreditam que com isso estão compensando suas necessidades e poupando-os do “sofrimento” numa atitude de total abnegação e submissão.
Já outras famílias não se sentem capazes de superar a frustração e a dor causados pelo “sofrimento” de ter um filho deficiente e num gesto de negação transferem a responsabilidade de seus cuidados à escola ou à outras instituições competentes.
Justificam seus gestos alegando-se insuficientes para efetuarem com competência as responsabilidades inerentes à família, “condenando” a criança ao possível abandono num ato inconsciente de rejeição e fuga.
Numa abordagem psicanalítica, comportamentos dessa natureza, podem ser explicáveis considerando a teoria freudiana dos “Mecanismos de Defesa do Ego”(1923). onde defende que o ego precisa usar de certos mecanismos para aquietar o Id e absolvê-lo diante do julgamento do superego.
Para FREUD (1923), defesa é a operação pela qual o Ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, para proteger o aparelho psíquico. O Ego mobiliza esses mecanismos, que dissimulam a percepção do perigo interno, em função de perigos reais ou imaginários localizados no mundo exterior.
Nos dois extremos a falta de equilíbrio provoca reações desfavorávies para a formação da personalidade do sujeito em questão. Em ambos os casos há um sofrimento latente: um pela submissão ou dominação e o outro pela rejeição (FROMM 1963 p43).
Na criança submissa, dominada, sufocada, pela supercompensação da família, é comum observar no desempenho das atividades inerentes a escola, comportamentos tais como: insegurança, desconfiança, baixa estima, egocentrismo (centrada no eu), dado a um condicionamento traçado por aquilo que a psicanálise traduz como IMAGO (Laplanche e Pontalis ps. 234/235)
Por outro lado na criança “rejeitada” observa-se comportamentos variados que vão desde agressividade, depressão, mutismo, desconcentração, desapego ou apego excessivo, dentre outros.
[...] “é preciso reconhecer que não há um ideal de família, mas famílias concretas que constituem diferentes ambientes e papéis para seus membros...dentre eles o cuidado e a educação dos filhos (Orientações Curriculares 2007 p25 ).
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
FREUD, Sigmund - Obras Completas "O Ego e o Id" (1923)- Edição Eletrônica -Editora Imago-Brasilia.
FROMM, Erich - Psicanálise da Sociedade Contemporânea - Biblioteca de Ciências Sociais – ZAHAR EDITORES – RJ – 1963.
MRECH, Leny Magalhães - Psicanálise e Educação: Novos Operadores de Leitura – Thomson Learning Ibero – 1999.
Secretaria Municipal de Educação (SME) – Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagem e Orientações Didáticas para Educação Infantil – DOT 2007.
Professora e Psicanalista
“Quando nós olhamos alguém como deficiente dificilmente o sujeito consegue escapar deste olhar, passando a se ver e referenciar por este olhar”.( Maud, Mannoni)
Em linguagem psicanalítica, a inclusão de alunos deficientes nas escolas de ensino regular, especialmente na educação infantil, onde os conceitos de cuidar e “educar” passaram a ser tratados de modo integrado, é possível que numa concepção egocêntrica, narcisica e inconsciente, o indivíduo transfira suas responsabilidades para alguém que não ele próprio, validando seus preconceitos e estereótipos estigmatizados a partir de suas crenças.
Um olhar mais apurado, pode observar a postura de “negação” postulado em grande parte dos envolvidos (educadores, pais, familiares), com colocações do tipo:
• “Os professores não estão preparados para isso”.
• “A culpa é da família que não está nem aí”.
• “Os professores não estudaram pra isso”.
• “Eu não tenho condições de cuidar de crianças assim”.
• “A culpa é do governo que não dá condições para se desenvolver um bom trabalho”.
• “Eu não tenho condições para cuidar de meu filho; o governo não me ajuda”.
• “Meu filho foi discriminado pela escola”.
• “Pra que eu tenho que trazer meu filho todos os dias à escola se ele não tem condições de acompanhar a turma”?
• “Meu filho nunca vai sair disso”.
• “Eu não quero que meu filho atrapalhe o trabalho da escola”.
Observa-se nesses depoimentos uma “fala carregada” por mecanismos inconscientes de defesa do ego como resistência, negação, culpa, numa postura neurótico/obsessiva/compulsiva de transferir ou assumir responsabilidades.
Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-los, adquirindo autonomia e ao mesmo tempo se sentindo segura, num ambiente formador de conceitos e valores que tenha como princípios: respeito mútuo, respeito pelas diferenças, solidariedade, e reciprocidade como prática determinante nas relações estabelecidas entre os participantes.
E a educação Inclusiva dá oportunidade não só ao aluno com necessidade especial, mas também às outras crianças ditas “normais”, pois convivendo com essas ditas “diferentes”, quebram as barreiras dos preconceitos e se envolvem num olhar solidário. Assim, desde pequenas têm a oportunidade de conviver com as diferenças num contexto de normalidade.
“Há na Educação Inclusiva e na perspectiva psicanalítica a introdução de um outro olhar. Uma maneira nova da gente se ver, ver os outros e ver a Educação. De se aprender a conviver com as diferenças, com as mudanças, com aquilo que está além das imagens. Uma maneira da gente apostar no outro”. (MRECH -1999)
Nessas circunstâncias observa-se o desenvolvimento gratificante daqueles que antes eram excluídos, pois agora, se sentindo aceitas e respeitadas não são mais submetidas ao desconforto da discriminação e segregação.
A Influência da Família no Comportamento do Aluno Inclusivo
O aluno com deficiência da faixa etária entre três à seis anos (educação infantil), é em geral submetido a dois tipos de acolhimento no seio familiar: são superprotegidos, ou são rejeitados.
Por excesso de zelo, alguns pais resistem em confiá-los totalmente aos cuidados da escola. Ficam inseguros em deixá-los com os professores e acabam por passar essa insegurança aos mesmos.
Em alguns casos mais extremos, subestimam suas capacidades e não se furtam da oportunidade de superprotegê-los, efetuando suas tarefas mais simples numa radical postura de excesso de cuidados. Acreditam que com isso estão compensando suas necessidades e poupando-os do “sofrimento” numa atitude de total abnegação e submissão.
Já outras famílias não se sentem capazes de superar a frustração e a dor causados pelo “sofrimento” de ter um filho deficiente e num gesto de negação transferem a responsabilidade de seus cuidados à escola ou à outras instituições competentes.
Justificam seus gestos alegando-se insuficientes para efetuarem com competência as responsabilidades inerentes à família, “condenando” a criança ao possível abandono num ato inconsciente de rejeição e fuga.
Numa abordagem psicanalítica, comportamentos dessa natureza, podem ser explicáveis considerando a teoria freudiana dos “Mecanismos de Defesa do Ego”(1923). onde defende que o ego precisa usar de certos mecanismos para aquietar o Id e absolvê-lo diante do julgamento do superego.
Para FREUD (1923), defesa é a operação pela qual o Ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, para proteger o aparelho psíquico. O Ego mobiliza esses mecanismos, que dissimulam a percepção do perigo interno, em função de perigos reais ou imaginários localizados no mundo exterior.
Nos dois extremos a falta de equilíbrio provoca reações desfavorávies para a formação da personalidade do sujeito em questão. Em ambos os casos há um sofrimento latente: um pela submissão ou dominação e o outro pela rejeição (FROMM 1963 p43).
Na criança submissa, dominada, sufocada, pela supercompensação da família, é comum observar no desempenho das atividades inerentes a escola, comportamentos tais como: insegurança, desconfiança, baixa estima, egocentrismo (centrada no eu), dado a um condicionamento traçado por aquilo que a psicanálise traduz como IMAGO (Laplanche e Pontalis ps. 234/235)
Por outro lado na criança “rejeitada” observa-se comportamentos variados que vão desde agressividade, depressão, mutismo, desconcentração, desapego ou apego excessivo, dentre outros.
[...] “é preciso reconhecer que não há um ideal de família, mas famílias concretas que constituem diferentes ambientes e papéis para seus membros...dentre eles o cuidado e a educação dos filhos (Orientações Curriculares 2007 p25 ).
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
FREUD, Sigmund - Obras Completas "O Ego e o Id" (1923)- Edição Eletrônica -Editora Imago-Brasilia.
FROMM, Erich - Psicanálise da Sociedade Contemporânea - Biblioteca de Ciências Sociais – ZAHAR EDITORES – RJ – 1963.
MRECH, Leny Magalhães - Psicanálise e Educação: Novos Operadores de Leitura – Thomson Learning Ibero – 1999.
Secretaria Municipal de Educação (SME) – Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagem e Orientações Didáticas para Educação Infantil – DOT 2007.
terça-feira, 29 de março de 2011
A PSICANÁLISE COMO COMPLEMENTO TEÓRICO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR INCLUSIVO
POr Dirce Nunes Cestari
Professora e Psicanalista
(Este documento faz parte de um capitulo de monografia sobre o tema: A formação do Educador como Referencia na Qualidade do Ensino).
A Declaração de Salamanca (1994) demanda sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais dentro do sistema regular de ensino, assumido um compromisso de educação para todos sobre o argumento “que toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem”.
Neste contexto, designa que ‘o termo "necessidades educacionais especiais" refere-se a todas aquelas crianças ou jovens cujas necessidades educacionais especiais se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem’.
A psicologia aplicada à educação aborda as questões das necessidades especiais em relação às deficiências ou dificuldades de aprendizagem fundamentada especialmente na teoria piagetiana de construção do conhecimento.
Os cursos de formação de professores abordam em seus currículos disciplinas que valorizam o cognitivo para entender as deficiências de aprendizagem.
"No cenário teórico da Pedagogia, Freud não aparece no rol daqueles que trataram do assunto do conhecimento ou da inteligência”. (VOLTOLINI, 2006)
Seguindo esta linha de raciocínio filosófico sobre educação, a afetividade da criança não é considerada a despeito de um possível sofrimento psíquico. Este sofrimento segundo a teoria psicanalítica de Freud pode ocorrer motivado por forças inconscientes dos mecanismos de defesa do ego em consequência de uma cultura sócio-educacional autoritária e castradora.
Muitas das doenças mentais, em especial as neuroses podem estar relacionadas às repressões derivadas da severidade do ato de educar.
O Bullying, muito presente no ambiente escolar, familiar e social, hoje tão mencionado pelos diversos estudiosos sobre distúrbios emocionais e cognitivos das crianças, é outra condicionante possível de bloqueios na relação ensino aprendizagem, e que também pode ser detectado quando se tem um olhar focado no comportamento afetivo destas nos diferentes ambientes pedagógicos.
Merch (1999 p 24) defende que a sociedade atual é a sociedade dos estereótipos, das crenças prévias, dos preconceitos, e como consequência os educadores estigmatizam seus alunos embasados nesses estereótipos, sendo que a Educação Inclusiva surgiu a partir destas constatações.
Marcados pelos clichês de alunos incapazes, ficam relegados, a mercê do próprio destino ou daqueles que se designam a um olhar solidário e de compaixão.
Ao refletir sobre a formação docente focada nos atuais princípios da educação, é preciso considerar várias atenuantes, dentre elas, as necessidades educativas especiais elencadas pela Declaração de Salamanca, que abrangem não somente as deficiências físicas e biológicas, mas todas as dificuldades de aprendizagem e de ajustamento social.
Em algumas oportunidades, alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e ou desajustamento social são encaminhados para avaliação psicológica por profissionais especializados. No entanto o entrosamento entre pedagogia e psicologia às vezes são marcados por conflitos, e a função do psicólogo educacional se restringe em avaliar as dificuldades de desenvolvimento cognitivo e de relacionamento em nível estritamente consciente.
A psicanálise oferece subsídios teóricos para avaliar o comportamento humano, seus bloqueios suas dificuldades a partir da essência de sua “alma”, através de manifestações inconscientes, saindo do campo da concretude da teoria cognitivista.
Segundo pesquisadores o ato educativo está relacionado a fatores sociais e psicológicos, portanto a teoria cognitivista dos estágios de desenvolvimento não pode estar desvinculada do campo do emocional, onde o comportamento do sujeito é mobilizado a partir de mecanismos psíquicos inconscientes defendidos pelas correntes de concepção psicanalítica.
Isso não significa que a psicologia aplicada à educação deva ser desconsiderada, mas ao professor deve ser dado o mínimo de conhecimento sobre os conceitos da teoria psicanalítica para subsidiá-lo na abordagem de seu aluno focado não só no modelo médico que compara a criança “à chamada criança normal” (Lacan in Mech,1999) mas, tomando como referencia de potencial, ela mesma, na sua singularidade.
Para avaliar o comportamento da criança sob a ótica de suas condicionantes sociais, é preciso “investigar sua mente” com sensibilidade através do “diálogo” e da observação decorrente das relações interpessoais.
“Quando os educadores se familiarizarem com as descobertas da psicanálise, será mais fácil se reconciliarem com certas fases do desenvolvimento infantil e, entre outras coisas de superestimar a importância dos impulsos socialmente imprestáveis ou perversos que surgem nas crianças”. (BACHA, 2006).
Refletir sobre a importância da psicanálise na formação do professor torna-se cada vez mais urgente, pois permite a possibilidade de valiosas contribuições tanto no campo do conhecimento, quanto na formação da personalidade do individuo, especialmente desmitificando a idéia de que educação e repressão são indissociáveis.
Tudo o que podemos esperar a título de profilaxia das neuroses no individuo se encontra nas mãos de uma educação psicanaliticamente esclarecida”. (BACHA, 2006)
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BACHA, Marcia Simões Corrêa Neder – Artigo “O Desejo do Saber em Questão” Revista Educação – Edição Especial – Ano 1 Nº 1 - 2006
FREUD, Sigmund - "Obras Completas"
MRECH, Leny Magalhães - Psicanálise e Educação: Novos Operadores de Leitura – Pioneira - São Paulo, 1999.
VOLTOLINI, Rinaldo. Artigo “Pensar é Desejar” Revista Educação – Edição Especial – Ano 1 Nº 1 - 2006
Professora e Psicanalista
(Este documento faz parte de um capitulo de monografia sobre o tema: A formação do Educador como Referencia na Qualidade do Ensino).
A Declaração de Salamanca (1994) demanda sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais dentro do sistema regular de ensino, assumido um compromisso de educação para todos sobre o argumento “que toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem”.
Neste contexto, designa que ‘o termo "necessidades educacionais especiais" refere-se a todas aquelas crianças ou jovens cujas necessidades educacionais especiais se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem’.
A psicologia aplicada à educação aborda as questões das necessidades especiais em relação às deficiências ou dificuldades de aprendizagem fundamentada especialmente na teoria piagetiana de construção do conhecimento.
Os cursos de formação de professores abordam em seus currículos disciplinas que valorizam o cognitivo para entender as deficiências de aprendizagem.
"No cenário teórico da Pedagogia, Freud não aparece no rol daqueles que trataram do assunto do conhecimento ou da inteligência”. (VOLTOLINI, 2006)
Seguindo esta linha de raciocínio filosófico sobre educação, a afetividade da criança não é considerada a despeito de um possível sofrimento psíquico. Este sofrimento segundo a teoria psicanalítica de Freud pode ocorrer motivado por forças inconscientes dos mecanismos de defesa do ego em consequência de uma cultura sócio-educacional autoritária e castradora.
Muitas das doenças mentais, em especial as neuroses podem estar relacionadas às repressões derivadas da severidade do ato de educar.
O Bullying, muito presente no ambiente escolar, familiar e social, hoje tão mencionado pelos diversos estudiosos sobre distúrbios emocionais e cognitivos das crianças, é outra condicionante possível de bloqueios na relação ensino aprendizagem, e que também pode ser detectado quando se tem um olhar focado no comportamento afetivo destas nos diferentes ambientes pedagógicos.
Merch (1999 p 24) defende que a sociedade atual é a sociedade dos estereótipos, das crenças prévias, dos preconceitos, e como consequência os educadores estigmatizam seus alunos embasados nesses estereótipos, sendo que a Educação Inclusiva surgiu a partir destas constatações.
Marcados pelos clichês de alunos incapazes, ficam relegados, a mercê do próprio destino ou daqueles que se designam a um olhar solidário e de compaixão.
Ao refletir sobre a formação docente focada nos atuais princípios da educação, é preciso considerar várias atenuantes, dentre elas, as necessidades educativas especiais elencadas pela Declaração de Salamanca, que abrangem não somente as deficiências físicas e biológicas, mas todas as dificuldades de aprendizagem e de ajustamento social.
Em algumas oportunidades, alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e ou desajustamento social são encaminhados para avaliação psicológica por profissionais especializados. No entanto o entrosamento entre pedagogia e psicologia às vezes são marcados por conflitos, e a função do psicólogo educacional se restringe em avaliar as dificuldades de desenvolvimento cognitivo e de relacionamento em nível estritamente consciente.
A psicanálise oferece subsídios teóricos para avaliar o comportamento humano, seus bloqueios suas dificuldades a partir da essência de sua “alma”, através de manifestações inconscientes, saindo do campo da concretude da teoria cognitivista.
Segundo pesquisadores o ato educativo está relacionado a fatores sociais e psicológicos, portanto a teoria cognitivista dos estágios de desenvolvimento não pode estar desvinculada do campo do emocional, onde o comportamento do sujeito é mobilizado a partir de mecanismos psíquicos inconscientes defendidos pelas correntes de concepção psicanalítica.
Isso não significa que a psicologia aplicada à educação deva ser desconsiderada, mas ao professor deve ser dado o mínimo de conhecimento sobre os conceitos da teoria psicanalítica para subsidiá-lo na abordagem de seu aluno focado não só no modelo médico que compara a criança “à chamada criança normal” (Lacan in Mech,1999) mas, tomando como referencia de potencial, ela mesma, na sua singularidade.
Para avaliar o comportamento da criança sob a ótica de suas condicionantes sociais, é preciso “investigar sua mente” com sensibilidade através do “diálogo” e da observação decorrente das relações interpessoais.
“Quando os educadores se familiarizarem com as descobertas da psicanálise, será mais fácil se reconciliarem com certas fases do desenvolvimento infantil e, entre outras coisas de superestimar a importância dos impulsos socialmente imprestáveis ou perversos que surgem nas crianças”. (BACHA, 2006).
Refletir sobre a importância da psicanálise na formação do professor torna-se cada vez mais urgente, pois permite a possibilidade de valiosas contribuições tanto no campo do conhecimento, quanto na formação da personalidade do individuo, especialmente desmitificando a idéia de que educação e repressão são indissociáveis.
Tudo o que podemos esperar a título de profilaxia das neuroses no individuo se encontra nas mãos de uma educação psicanaliticamente esclarecida”. (BACHA, 2006)
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BACHA, Marcia Simões Corrêa Neder – Artigo “O Desejo do Saber em Questão” Revista Educação – Edição Especial – Ano 1 Nº 1 - 2006
FREUD, Sigmund - "Obras Completas"
MRECH, Leny Magalhães - Psicanálise e Educação: Novos Operadores de Leitura – Pioneira - São Paulo, 1999.
VOLTOLINI, Rinaldo. Artigo “Pensar é Desejar” Revista Educação – Edição Especial – Ano 1 Nº 1 - 2006
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